Por: Alex de Godoi
AVISO: Esse texto pode conter alguns gatilhos menores em relação a suícidio
Em setembro, as campanhas de conscientização se voltam para o cuidado com a saúde mental e, principalmente, para a prevenção ao suicídio. Embora a iniciativa tenha surgido mundialmente em 1994, ela chegou ao Brasil apenas em 2015, impulsionada por uma ação conjunta da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Centro de Valorização da Vida (CVV).
Essa movimentação aconteceu pela necessidade urgente de quebrar o tabu em torno do tema — que era ainda maior há dez anos —, além de controlar a taxa de mortalidade por suicídio no país, que era de 5,7 óbitos por 100 mil habitantes, segundo o Ministério da Saúde. Desde então, a campanha ganhou força em todo o território nacional, transformando o cuidado com a mente em uma pauta coletiva.
O que está por trás desses dados?
Entre os principais fatores de risco que acentuam o sofrimento mental e podem levar a esse desfecho, estão condições como a depressão, o transtorno bipolar, o alcoolismo e outras dependências químicas.
É claro que cada pessoa vivencia a dor de forma única, mas costuma haver sinais sutis e mudanças de comportamento que indicam quando alguém precisa de ajuda, acolhimento ou acompanhamento profissional.
Mas qual são esses sinais? Como identifica-los nas pessoas próximas ou até em si mesmo?
1. Angústia e choro frequente
Sensação constante de aperto no peito, tristeza profunda ou episódios de choro sem um motivo aparente e difícil de controlar ou explicar;
2. Alterações de comportamento
Mudanças bruscas de humor, isolamento social, perda de interesse por atividades que antes traziam prazer ou uma agressividade estranha com as coisas ao redor;
3. Negligência com si próprio
Desleixo progressivo com a higiene pessoal, com a alimentação, com compromissos rotineiros ou com o próprio bem-estar;
4. Alteração de sono
Dificuldade recorrente para adormecer (insônia), despertares frequentes durante a noite ou o extremo oposto, que é a vontade de dormir o dia todo;
5. Falta de energia
Fadiga constante, sensação de exaustão física e mental mesmo sem grande esforço e dificuldade para realizar tarefas simples do cotidiano;
O que fazer depois de identificar esses sinais?
O primeiro passo para encarar um problema é reconhecer que ele existe. Ao perceber esses sinais em você ou em alguém próximo, o mais importante é construir um espaço seguro e livre de julgamentos para conversar.
Demonstrar
empatia, ouvir com atenção, não invalidar a dor do outro, incentivar a busca
por profissionais da saúde mental (como psicólogos e psiquiatras) e apoiar a
construção de hábitos saudáveis são atitudes fundamentais para conter o avanço
do sofrimento.
Segundo
dados do DataSUS, o Brasil registra entre 14 mil e 15 mil suicídios por ano.
Para cada caso consumado, estima-se que ocorram cerca de 20 tentativas.
Embora
condições como a depressão exijam cuidado contínuo, existem tratamentos
eficazes e redes de apoio capazes de devolver a qualidade de vida. Cuidar de si
e olhar com atenção para quem está ao lado faz toda a diferença.
Arrasou!! Ótimo texto
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