Por: Alex Godoi
Como uma ideia que foi criada há mais de 50 anos está se
tornando cada vez mais presente
O’que é e de onde vem o Efeito Eliza?
Em 1966, Joseph
Weizenbaum, escritor e cientista da computação do MIT (Instituto de Tecnologia
de Massachusetts), desenvolveu uma IA do tipo chatbot e a chamou de ELIZA.
O objetivo de Weizenbaum era exemplificar como pequenas mudanças textuais na
forma que o robô se comunicava poderiam ajudar a simular uma conversa natural
entre homem e máquina.
Para realizar
os testes, foram criados vários scripts que, quando aplicados em ELIZA,
alteravam sua forma de comunicação. O script que mais preocupou Weizenbaum foi
o DOCTOR, um programa no qual o chatbot simulava um psicoterapeuta
rogeriano.
Com essa
abordagem, ELIZA respondia às pessoas invertendo suas falas. Por exemplo: se
alguém comentasse que estava triste, ela perguntava por que a
pessoa estava triste e o que a levava a acreditar nisso.
Na época, a
interação parecia tão natural que os participantes dos testes tinham certeza de
que ELIZA realmente os compreendia e se importava com eles.
Após observar
esse comportamento, Weizenbaum decidiu encerrar os testes e escreveu o
livro Computer Power and Human Reason, no qual apresentava sua
visão sobre a influência da IA na mente humana. Ele expressava preocupações com
o uso intenso dessa tecnologia, argumentando que, mesmo que robôs pudessem
demonstrar algum tipo de compreensão, sempre haveria decisões complexas e
morais que só um ser humano deveria tomar:
“There are some
things that computers ought not to do, regardless of whether they can be made
to do them.”
Manifestações do Efeito Eliza atualmente
O Efeito
ELIZA não é um distúrbio ou transtorno, mas sim um termo histórico
dentro da ciência da computação que descreve o momento em que um ser humano
passa a acreditar que a IA é capaz de ter empatia por ele e compreender seus
sentimentos. Isso ocorre devido à tendência humana de atribuir características
próprias a elementos que remetem ao ser humano — nesse caso, a linguagem
desenvolvida.
Atualmente,
esse modelo de IA é cada vez mais comum, adaptativo e personalizável para cada
usuário, o que cria ainda mais essa falsa sensação de companheirismo. Exemplos
disso podem ser vistos em plataformas como Character.AI, Replika ou
assistentes virtuais como Alexa e ChatGPT.
Recentemente,
casos como o da tiktoker Jéssica
Augusta e do adolescente americano Adam
Raine ganharam atenção, mostrando
como essa dinâmica pode ser levada ao extremo após longos períodos de
isolamento social, nos quais os usuários passaram a conversar quase
exclusivamente com o ChatGPT, tratando-o como conselheiro ou amigo próximo.
O risco de
manipulação é alto, já que esses sistemas são programados, em grande parte,
para agradar e apoiar as pessoas, o que pode reduzir o senso crítico e a noção
de realidade daqueles que buscam conforto e aprovação nas conversas.
A IA como uma ferramenta de auxílio e não como caminho
Um
estudo publicado em abril pela Harvard
Business Review mostrou que os três usos mais comuns da IA são:
apoio terapêutico, organização da vida e diálogos voltados ao autoconhecimento.
Outro
estudo feito pela Universidade de Stanford mostra que 48,47%
dos usuários recorrentes de IA com transtornos psicológicos relataram que usam
a ferramenta como forma de terapia, seja por não poderem ou não quererem
conversar com outra pessoa.
Sem o
acompanhamento adequado, isso pode ser perigoso. Embora simule uma interação
humana de maneira convincente, a IA não é capaz de identificar sinais não
verbalizados pelo “paciente” e, em alguns casos, pode até induzir crises a
partir de determinadas perguntas e respostas.
A própria OpenAI,
empresa responsável pelo ChatGPT, não recomenda o uso da ferramenta para fins
terapêuticos sem acompanhamento profissional e desde a atualização para o Chat
5.0 a inteligência artificial começou a barrar interações interpessoais entre
os usuários.
A inteligência
artificial, sem dúvida, tem grande potencial como ferramenta de apoio,
mas não deve ser tratada como a opção principal nesse
contexto.
Referências
Esse texto foi
montado a partir de uma série de pesquisas e outros textos jornalísticos, segue
as minhas principais fontes na hora de escrever:
- https://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_ELIZA
- https://fernandogiannini.com.br/o-efeito-eliza-por-que-amamos-a-ia/
- https://liacademy.co.uk/the-story-of-eliza-the-ai-that-fooled-the-world/?v=dc634e207282
- https://periodicos.unichristus.edu.br/opiniaojuridica/article/view/5015
- https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2025/08/26/openai-e-sam-altman-sao-processados-por-suposto-papel-do-chatgpt-no-suicidio-de-um-adolescente.ghtml
- https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2025-05/sessao-de-terapia-no-chatgpt-oferece-risco-e-preocupa-especialistas
- https://exame.com/marketing/como-o-chatgpt-virou-o-maior-terapeuta-do-mundo-e-por-que-isso-deveria-nos-preocupar/
- https://hbr.org/2025/04/how-people-are-really-using-gen-ai-in-2025
- https://exame.com/carreira/ia-assume-papel-de-terapeuta-para-muitos-profissionais-diz-estudo-de-harvard/
- https://boltzmann-brain.github.io/posts/weizenbaum/
- https://www.cnnbrasil.com.br/saude/e-seguro-usar-chatgpt-para-terapia-veja-o-que-especialistas-dizem/
- https://news.stanford.edu/stories/2025/06/ai-mental-health-care-tools-dangers-risks
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