Como a geração Z se tornou Ansiosa e depressiva e o que estamos fazendo a respeito disso

Por: Alex Godoi

Somos a geração “difícil” de se lidar e “ninguém nos entende”

Introdução – O’que é a Geração Z?


“Os jovens de hoje gostam do luxo. São mal-comportados, desprezam a autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Não se levantam quando um adulto chega. Contradizem os pais, apresentam-se em sociedade com efeitos estranhos. Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes, cruzam as pernas e tiranizam os seus mestres.” Aristófanes – As Nuvens 423 a.c.

Por definição, a Geração Z — em alguns lugares também chamada de Zoomers — somos nós: pessoas nascidas entre 1995 e 2010. Muito velhos para ver o homem chegar à Lua ou a Constituição de 1988 ser formada, e muito novos para testemunhar os primeiros carros voadores, mas no tempo certo para acompanhar a transição do mundo para os anos 2000 e entrar na era digital de maneira saudável.

Também somos a geração com mais transtornos mentais relacionados ao estresse prolongado, o que nos torna a geração que mais busca cuidados e tratamento apropriado em vez de simplesmente “aceitar”, seguir em frente ou ignorar.

Nunca poderemos dizer que “no nosso tempo não tinha isso”.

O ’que os números dizem sobre nós?


Em junho deste ano, a Harmony Healthcare IT – uma empresa focada em gestão de dados de saúde – realizou um levantamento sobre a saúde mental da Geração Z. A pesquisa revelou que pelo menos 46% das pessoas entre 18 e 28 anos já foram diagnosticadas com alguma condição mental, e 37% dos que não possuem diagnóstico suspeitam ter algum transtorno.

Os transtornos mais frequentes são a ansiedade e depressão cujo as principais causas apontadas incluem a comparação constante nas redes sociais, a incerteza sobre o futuro (principalmente o profissional) e a situação econômica mundial. Criou-se um medo generalizado de não alcançar o próprio sucesso, de ser abandonado e uma preocupação com um futuro que, apesar de ter sido “entregue” a nós, não transmite confiança de verdade.

Grande parte de toda essa ansiedade está relacionada ao trabalho, mo Brasil a média é que pessoas entre 18 e 24 anos permaneçam apenas 12 meses em um mesmo emprego antes de buscar outra oportunidade. O mercado de trabalho tradicional — no qual nossos pais e avós atuaram — já não é atrativo. Somos a primeira geração que, quando sobrecarregada ou desanimada, não hesita em procurar empregos com condições melhores ou que possibilitem equilibrar vida pessoal e profissional.

O ‘que nos espera daqui pra frente?


Graças a isso nos tornamos a geração que mais busca ajuda profissional e desenvolvemos maior facilidade para falar abertamente sobre esses problemas. Hoje, as pessoas estão mais confortáveis em admitir que precisam de apoio e que não podem lidar com tudo sozinhas — aliás, que não devemos lidar com tudo sozinhos.

Uma pesquisa realizada pelo Thriving Center of Psychology no final de 2023 revelou que pelo menos 55% das pessoas entre as gerações Millennials (nascidos entre 1981 e 1996) e Z fazem ou já fizeram terapia. Além disso, 1 em cada 4 pessoas planeja continuar o tratamento pelo maior tempo possível.

Ainda há um longo caminho a ser percorrido, principalmente em relação às barreiras culturais que marcaram as gerações anteriores e que, por muito tempo impediram o tratamento adequado, criando mais gerações adoecidas e necessitadas, porém agora temos finalmente os meios para quebrar esse ciclo e nos sentirmos um pouco mais felizes com nós mesmos.

Referências


Esse texto foi montado a partir de uma série de pesquisas e outros textos jornalísticos, segue as minhas principais fontes na hora de escrever:

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